quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Cultura de Tolo”




Desde o início de sua carreira, Raul Seixas inovou a cultura brasileira, trazendo músicas com letras admiráveis(muitas com influência esotérica), e ainda assim tornando-se popular no Brasil. Censurado, chegou a ser exilado por um tempo do país, sem nunca deixar de ter seu espaço nos rádios. Ícone da contracultura, inspirou diversos artistas e foi um dos pioneiros do rock’n roll brasileiro, principalmente na questão da letra. Contudo, na atualidade o popular está se tornando cada vez mais industrial e a música passa a seguir padrões de execução. Raul seixas e suas influências fazem cada vez mais falta no quadro artístico contemporâneo para os que apreciam uma música que não se limita a clichês.
Em seu início, Raul cantava numa banda intitulada “Raulzito e o os Panteras”, com letras e melodia que já levavam a influência do Rock’n roll e das músicas típicas da Bahia, sua terra natal. No ano de 1972 participou da FIC(Festival Internacional do Canto), com as músicas “Let me sing” e “Eu sou eu, Nicuri é o Diabo”. A Primeira misturava os ritmos do Baião e do rock, algo inovador na MPB.
Logo começou a carreira solo e seus primeiros sucessos no disco “Krig-Há Bandolo!” como compositor ao lado de Paulo Coelho, sendo eles “Metamorfose Ambulante” e  a venerada “Ouro de Tolo”. No período da Ditadura, porém, “Sociedade Alternativa”(segundo disco) não foi muito bem visto pelo governo levando-o ao exílio.
De volta ao Brasil, após o explosivo sucesso do segundo álbum(Gita), continuou sua carreira com letras cada vez mais críticas e mesmo ácidas. Nas palavras de Tom Tob Azulay “Raul respirando já estava provocando”. A censura, no entanto já não era tão ativa, o que não impediu que em seus últimos discos, faixas como “Rock das Aranhas” e “Aluga-se” ainda tivessem impedimento de exibição em rádio.
Ao fim do disco “Abre-te Sésamo” as gravadoras, cientes de futuras polêmicas e censuras, passaram a recusar contratos com Raul, que após muita procura, desiste de novas gravações. Na falta de shows, vê-se abandonado pela mídia e ao fim desse período grava outros discos sem tanta repercussão no vai-e-vem de sua saúde. Entra em turnê com Marcelo Nova, da banda “Camisa de Vênus” e grava seu último disco solo, “A Pedra do Gênesis”. Ao seu lado grava seu último Álbum em vida, “Panela do Diabo”, que contém faixas com letras exploradas no lado obscuro da vida e dos sofrimentos de Raul com as drogas e o abandono. A importância desse último momento para o foco da reportagem é a recusa de Raul seixas a se dobrar” às exigências  das gravadoras, e consequentemente a recusa a seguir padrões musicais que já naquele tempo existiam.
As letras de suas músicas, em geral, tinham grande influência mística, além das ávidas críticas e de suas indagações, que alcançavam mesmo um teor filosófico. Segundo Pedro Bial, apresentador:” A música ‘“Ouro de Tolo”’passou pela censura porque sua mensagem não chegou a ser entendida, era muita mais inteligente que, por exemplo, o último samba de Chico Buarque na época”
Sua influência sobre futuras bandas como Ultraje a Rigor, Titãs, Ira!, Legião Urbana, Barão Vermelho e outros sucessos do passado é mais que considerável. A música popular com qualidade lírica já existiu no passado, quando os artistas não levavam o comércio como prioridade como no mundo atual, a música com apelo industrial e foco econômico , bem como a disponibilidade de artistas a se submeterem às exigências empresariais  que criam ondas de “modas” momentâneas  e impedem bandas que exploram ideais de ter um lugar no panorama cultural.
Faltam ideais, falta coragem, falta filosofia, falta riqueza lírica, é necessária uma menor influência empresarial na cultura brasileira. Nessa sociedade de cultura comercial e friamente calculada, dessa “cultura de tolo”, falta Raul.