Desde o início de sua carreira,
Raul Seixas inovou a cultura brasileira, trazendo músicas com letras
admiráveis(muitas com influência esotérica), e ainda assim tornando-se popular
no Brasil. Censurado, chegou a ser exilado por um tempo do país, sem nunca
deixar de ter seu espaço nos rádios. Ícone da contracultura, inspirou diversos
artistas e foi um dos pioneiros do rock’n roll brasileiro, principalmente na
questão da letra. Contudo, na atualidade o popular está se tornando cada vez mais
industrial e a música passa a seguir padrões de execução. Raul seixas e suas
influências fazem cada vez mais falta no quadro artístico contemporâneo para os
que apreciam uma música que não se limita a clichês.
Em seu início, Raul cantava numa
banda intitulada “Raulzito e o os Panteras”, com letras e melodia que já
levavam a influência do Rock’n roll e das músicas típicas da Bahia, sua terra
natal. No ano de 1972 participou da FIC(Festival Internacional do Canto), com
as músicas “Let me sing” e “Eu sou eu, Nicuri é o Diabo”. A Primeira misturava
os ritmos do Baião e do rock, algo inovador na MPB.
Logo começou a carreira solo e
seus primeiros sucessos no disco “Krig-Há Bandolo!” como compositor ao lado de
Paulo Coelho, sendo eles “Metamorfose Ambulante” e a venerada “Ouro de Tolo”. No período da
Ditadura, porém, “Sociedade Alternativa”(segundo disco) não foi muito bem visto
pelo governo levando-o ao exílio.
De volta ao Brasil, após o explosivo sucesso do segundo
álbum(Gita), continuou sua carreira com letras cada vez mais críticas e mesmo
ácidas. Nas palavras de Tom Tob Azulay “Raul respirando já estava provocando”.
A censura, no entanto já não era tão ativa, o que não impediu que em seus
últimos discos, faixas como “Rock das Aranhas” e “Aluga-se” ainda tivessem
impedimento de exibição em rádio.
Ao fim do disco “Abre-te Sésamo”
as gravadoras, cientes de futuras polêmicas e censuras, passaram a recusar
contratos com Raul, que após muita procura, desiste de novas gravações. Na
falta de shows, vê-se abandonado pela mídia e ao fim desse período grava outros
discos sem tanta repercussão no vai-e-vem de sua saúde. Entra em turnê com
Marcelo Nova, da banda “Camisa de Vênus” e grava seu último disco solo, “A
Pedra do Gênesis”. Ao seu lado grava seu último Álbum em vida, “Panela do
Diabo”, que contém faixas com letras exploradas no lado obscuro da vida e dos
sofrimentos de Raul com as drogas e o abandono. A importância desse último
momento para o foco da reportagem é a recusa de Raul seixas a se dobrar” às
exigências das gravadoras, e
consequentemente a recusa a seguir padrões musicais que já naquele tempo
existiam.
As letras de suas músicas, em
geral, tinham grande influência mística, além das ávidas críticas e de suas
indagações, que alcançavam mesmo um teor filosófico. Segundo Pedro Bial,
apresentador:” A música ‘“Ouro de Tolo”’passou pela censura porque sua mensagem
não chegou a ser entendida, era muita mais inteligente que, por exemplo, o
último samba de Chico Buarque na época”
Sua influência sobre futuras
bandas como Ultraje a Rigor, Titãs, Ira!, Legião Urbana, Barão Vermelho e
outros sucessos do passado é mais que considerável. A música popular com
qualidade lírica já existiu no passado, quando os artistas não levavam o
comércio como prioridade como no mundo atual, a música com apelo industrial e
foco econômico , bem como a disponibilidade de artistas a se submeterem às
exigências empresariais que criam ondas
de “modas” momentâneas e impedem bandas
que exploram ideais de ter um lugar no panorama cultural.
Faltam ideais, falta coragem,
falta filosofia, falta riqueza lírica, é necessária uma menor influência
empresarial na cultura brasileira. Nessa sociedade de cultura comercial e
friamente calculada, dessa “cultura de tolo”, falta Raul.